Judiciário em Números: principais aspectos da justiça no Brasil

aDoc • 17 de dezembro de 2021

O Relatório Justiça em Números 2021, que compreende os dados do ano-base 2020, é uma das principais fontes de estatísticas oficiais do Poder Judiciário (PJ) brasileiro. Confira aqui 3 pontos principais.

1. Redução de processos em tramitação

Em 2020, o Judiciário apresentou uma redução de 2 milhões de processos em tramitação. Essa queda representou uma redução de 14,5% no número de processos protocolados durante o ano de 2020. Foram ajuizados 25,8 milhões novos casos na Justiça. A título de comparação, foram 30,2 milhões em 2019 e 28,2 milhões em 2018.

Por outro lado, também ocorreu uma queda significativa no número de casos solucionados. Ou seja, no número de processos que houve decisões que transitaram em julgado [liquidados, cumpridos ou em execução]. Grande parte disso, deve-se também a pandemia, sendo que os prazos processuais ficaram suspensos e os tribunais funcionaram em regime de plantão por diversas semanas.

Em 2020, foram dado baixa em 27,9 milhões de processos, ou seja, 20,8% a menos do que em 2019, quando foram baixados 35,3 milhões.

2. Digitalização de processos foi expressiva em 2020

De acordo com o estudo, a redução no acervo processual deve-se também a uma maior produtividade decorrente da ampliação da digitalização, visto que em 2020, 96,9% das ações foram ajuizadas por meio eletrônico, isto é, 21,8 milhões.

Outro fato interessante está relacionado ao fato de que de 90 tribunais brasileiros, 48 encontram-se com seus processos 100% digitalizados.

3. Redução na despesa total do Poder Judiciário

Outro ponto interessante está relacionado com a redução de despesas do Poder Judiciário, cerca de R$ 4,6 bilhões. Vale ressaltar que esses custos continuam altos e giram em torno de R$ 100 bilhões em gastos. Em suma, o gasto para manter a Justiça em 2020 foi de R$ 475,51 por habitante.

A maior queda nos gastos de 38,8%, teve como principal fator as despesas de capital que estão diretamente relacionadas aos custos menos onerosos do trabalho remoto.

Despesas que foram reduzidas em 2020:

  • aquisição de veículos;
  • equipamentos e de programas de informática;
  • imóveis e outros bens permanentes;
  • além de obras e bens móveis.

Também ocorreram reduções expressivas nas despesas de água, luz etc., de 9,1% e gastos com pessoal, cerca de 3,3%. Por outro lado, também se observou uma redução na remuneração de magistrado e servidores que registrou uma queda de 9,1%.

Maior demanda de custos do Judiciário

Em relação a maior demanda de custos, a Justiça Estadual é o segmento que requer mais custos, com aproximadamente 58% da despesa total.
Percentuais de despesas dos diferentes segmentos da justiça:

  • Justiça Estadual - 58%
  • Justiça do Trabalho - 20%
  • Justiça Federal - 12%
  • Justiça Eleitoral - 6%
  • Tribunais Superiores - 4%
  • Justiça Militar Estadual - 0,2%

Por fim, as despesas totais do Judiciário correspondem a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), isso significa, 11% dos gastos totais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, sendo que as despesas mais expressivas dos tribunais - cerca de R$ 20,2 bilhões - referem-se a pensões e aposentadorias.

Fonte: Relatório Elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ.

Veja outros Artigos

Centralize contratos, automatize fluxos, controle prazos e reduza riscos com o software de gestão de
Por Juliana Xavier 30 de maio de 2026
Centralize contratos, automatize fluxos, controle prazos e reduza riscos com o software de gestão de contratos da aDoc.
Por Juliana Xavier 29 de maio de 2026
No dia a dia de um departamento jurídico, a sensação de estar apagando incêndios é quase uma regra. Entre solicitações urgentes de vendas, prazos processuais fatais e revisões contratuais de última hora, o gestor muitas vezes se vê em uma armadilha: a ilusão de que tudo é prioridade. No entanto, quando tudo é urgente, nada é realmente prioritário. Essa falta de clareza não gera apenas cansaço; ela cria o que chamamos de custo invisível. São perdas silenciosas que corroem a eficiência da operação, drenam o orçamento e, o mais grave, afastam o jurídico das decisões estratégicas da empresa. Entender esses custos é o primeiro passo para transformar o departamento de um centro de custo passivo em um parceiro de negócios ativo. Os 4 pilares do custo invisível Abaixo, detalhamos como a ausência de uma gestão de prioridades impacta diretamente os resultados da companhia: 1. Perda de valor estratégico Quando a equipe jurídica gasta 80% do seu tempo em tarefas operacionais de baixo valor (como responder dúvidas simples ou preencher planilhas manuais), ela deixa de analisar riscos complexos e oportunidades de negócio. O custo aqui é a oportunidade perdida: o jurídico deixa de ser o "viabilizador de negócios" para ser visto como um "gargalo". 2. Burnout e Turnover O impacto humano é um dos custos mais altos e menos mensurados. Trabalhar sob pressão constante, sem saber qual tarefa realmente move o ponteiro da empresa, gera ansiedade e desmotivação. O resultado é a perda de talentos qualificados, o que acarreta custos de recrutamento, treinamento e, principalmente, a perda do conhecimento institucional acumulado. 3. Riscos Financeiros e Multas A falta de priorização aumenta a probabilidade de erros. Quando um advogado está sobrecarregado com demandas triviais, ele pode deixar passar uma cláusula de renovação automática prejudicial ou perder o prazo de uma contestação de alto impacto financeiro. O urgente (baixo impacto) acaba atropelando o importante (alto risco). 4. Retrabalho e Ineficiência Processos sem priorização clara costumam ser confusos. A falta de um fluxo definido gera idas e vindas desnecessárias de documentos, comunicações ruidosas entre áreas e a necessidade de refazer trabalhos que não foram bem compreendidos na origem. Por que o jurídico tem dificuldade em priorizar? A resistência à priorização no jurídico costuma ter raízes culturais e estruturais. A cultura do "pra ontem" é alimentada pela falta de dados: sem saber quanto tempo cada tarefa consome ou qual o impacto real de cada contrato, o gestor não tem argumentos para negociar prazos com outras áreas. Além disso, a dificuldade em estabelecer um SLA (Service Level Agreement) claro faz com que o jurídico aceite todas as demandas com o mesmo nível de urgência, independentemente da sua relevância. O ROI da priorização A gestão de prioridades não é apenas sobre fazer mais com menos, mas sobre fazer o que importa. Quando o jurídico define o que é prioritário, ele reduz o ciclo de vida dos contratos, mitiga riscos de forma proativa e melhora a saúde organizacional.  O retorno sobre o investimento (ROI) de uma gestão bem priorizada manifesta-se em contratos fechados mais rapidamente e em uma equipe jurídica que atua como o cérebro estratégico da empresa, e não apenas como seu braço executor. Começar a medir e classificar suas demandas hoje é o caminho para eliminar os custos invisíveis que limitam o crescimento da sua operação.
A análise de contratos vai além da revisão jurídica. Saiba como identificar oportunidades e evitar
Por Juliana Xavier 27 de maio de 2026
A análise de contratos vai além da revisão jurídica. Saiba como identificar oportunidades e evitar prejuízos com uma gestão contratual estratégica e eficiente.