Os 9 estágios da gestão de contratos: da solicitação ao encerramento

15 de janeiro de 2026

Contratos exigem processo, governança e visibilidade do ciclo contratual. Conheça os estágios do início ao fim e veja como automação e CLM reduzem riscos, retrabalho e atrasos.


Gestão de Contratos: controle do início ao fim


Gestão de contratos é o conjunto de processos, papéis, padrões e controles que garantem qualidade, velocidade e conformidade em todo o ciclo contratual do pedido inicial à execução e ao encerramento.


Na prática, ela define como a organização solicita um contrato, como redige, revisa, aprova, negocia, assina, armazena e, principalmente, como monitora obrigações, prazos e desempenho ao longo do tempo. Em suma, gestão de contratos é a coordenação entre pessoas, processos e dados contratuais para reduzir incerteza. Ela conecta jurídico, vendas, compras, financeiro, RH e operações dentro de um fluxo comum. Quando funciona, reduz retrabalho e risco, acelera decisões e melhora previsibilidade de receita e custos.


Por que tratar contratos como processo


Quando contratos são tratados como processo, a empresa deixa de depender apenas do esforço da equipe e o ganho aparece em três dimensões fundamentais:


Padronização reduz variação e erro. Templates e playbooks garantem que cláusulas críticas sigam padrões testados, enquanto campos variáveis atendem necessidades específicas sem comprometer segurança jurídica.


Rastreabilidade protege decisões e acelera auditorias. Cada mudança, aprovação ou concessão fica registrada com data, responsável e justificativa, criando um histórico que funciona como defesa em disputas e como base para melhoria contínua.


Visibilidade transforma prazos e obrigações em rotina monitorável. Alertas automáticos antecipam vencimentos, reajustes e renovações, evitando perdas por esquecimento e permitindo decisões estratégicas no momento certo.


O resultado operacional

  • Menos ciclos de revisão e menos idas e vindas entre áreas;
  • Aprovação com alçadas claras e trilha auditável;
  • Negociação com controle de versão, histórico e justificativas documentadas;
  • Execução com alertas de prazo, obrigações e reajustes programados;
  • Portfólio contratual pesquisável, com metadados consistentes e análise de tendências.


Os 9 estágios da gestão de contratos


Este modelo cobre o ciclo completo, do pedido inicial ao encerramento informado. Cada estágio tem objetivo específico, entregáveis esperados e controles que garantem qualidade.


Estágio 1: solicitação contratual


Objetivo: iniciar o ciclo com informações completas e classificação adequada.

IO documento nasce incompleto e volta várias vezes para coleta de dados. Quanto mais estruturado o pedido inicial, menor o tempo total do ciclo.


Entregáveis típicos:

  • Dados das partes, escopo, vigência pretendida, valores, anexos e requisitos específicos;
  • Classificação do tipo de contrato e nível de risco inicial;
  • Responsável interno pelo contrato, que será o owner durante a execução.


Controles recomendados:

  • Checklist mínimo por tipo contratual, impossibilitando envio sem dados obrigatórios;
  • Critérios claros para priorização e SLA interno para início da redação.


Estágio 2: criação e modelagem do documento


Objetivo: redigir contratos com base em modelos e playbooks testados.

O ganho principal é consistência e velocidade, sem abrir mão de qualidade jurídica. Templates bem estruturados reduzem drasticamente o tempo de redação e minimizam cláusulas fora de padrão que criam risco desnecessário.


Entregáveis típicos:

  • Minuta inicial padronizada, com campos variáveis estruturados (partes, valores, prazos);
  • Anexos e documentos de suporte, como SLA, escopo técnico e política de privacidade.


Controles recomendados:

  • Biblioteca de templates versionada, com histórico de alterações e aprovações;
  • Cláusulas obrigatórias por categoria e por nível de risco, bloqueando remoção acidental.


Estágio 3: revisão jurídica e adequação de risco


Objetivo: verificar riscos legais, coerência de obrigações e conformidade com políticas internas.

A revisão jurídica não deveria ser apenas textual. Ela precisa ser decisória, tornando explícito o risco que está sendo aceito e reduzindo zonas cinzentas que geram disputas futuras.


Entregáveis típicos:

  • Ajustes de cláusulas críticas: responsabilidade, indenização, confidencialidade, rescisão e penalidades;
  • Registro formal de exceções ao padrão, quando houver, com justificativa documentada.


Controles recomendados:

  • Playbook de negociação com posições aceitáveis, limites de concessão e alternativas;
  • Matriz simples de risco contratual, com critérios objetivos para escalonamento.


Estágio 4: aprovações internas e workflow de alçadas


Objetivo: garantir decisão rápida e auditável, sem gargalos invisíveis.

Aqui mora parte relevante do atraso em empresas que operam por e-mail. Aprovação precisa de ordem, regras e prazos. Sem isso, o contrato vira fila invisível e o negócio desacelera.


Entregáveis típicos:

  • Aprovações por área conforme valor, risco e impacto operacional;
  • Evidência de decisão, com data, responsável e justificativa quando houver desvio.


Controles recomendados:

  • Alçadas formais por categoria e por faixa de valor, publicadas e acessíveis;
  • Trilha auditável e SLA de aprovação, com lembretes automáticos e escalonamento.


Estágio 5: negociação com a contraparte


Objetivo: rastrear mudanças, preservar histórico e evitar concessões não documentadas.

Negociação é onde surgem versões paralelas, concessões não registradas e cláusulas conflitantes. O desafio é garantir que toda mudança seja rastreável, que a contraparte visualize claramente o que foi alterado e que a empresa preserve histórico completo.


Entregáveis típicos:

  • Versões controladas do documento, com histórico de alterações destacadas;
  • Registro de concessões e racional de decisão, especialmente quando fogem do playbook.


Controles recomendados:

  • Controle de versão centralizado, impedindo edições paralelas descontroladas;
  • Mecanismo de comentários e revisão estruturada, com responsabilidades claras;
  • Gatilhos de escalonamento quando a negociação foge do playbook estabelecido.


Estágio 6: assinatura e formalização


Objetivo: formalizar o acordo com segurança, prova e rastreabilidade.

Quando assinatura é tratada como etapa isolada, a empresa frequentemente perde rastreabilidade. O ponto é gerar evidência consistente, reduzir fricção e garantir que a versão assinada é exatamente aquela aprovada.


Entregáveis típicos:

  • Contrato assinado, com evidências digitais, logs e certificados quando aplicável;
  • Identificação do signatário e verificação de poderes de representação.


Controles recomendados:

  • Requisitos mínimos de autenticidade e integridade (assinatura digital, timestamps);
  • Conferência final de versão e anexos antes de assinar, evitando surpresas posteriores.


Estágio 7: armazenamento central e cadastro contratual


Objetivo: tornar o contrato pesquisável e governável durante toda sua vigência.

A assinatura não encerra o trabalho. Ela abre a fase mais longa. Neste estágio, o contrato entra no repositório central e recebe metadados estruturados. Sem metadados, repositório vira arquivo morto inacessível.


Entregáveis típicos:

  • Contrato arquivado em repositório único e seguro;
  • Cadastro completo: vigência, reajuste, renovação, owner, centro de custo, obrigações-chave.


Controles recomendados:

  • Padrão mínimo obrigatório de metadados por tipo contratual;
  • Política de classificação, permissões de acesso e retenção conforme requisitos legais.


Estágio 8: gestão de obrigações, prazos e execução


Objetivo: monitorar entregas, obrigações e eventos ao longo da vigência.

Este é o estágio que separa maturidade de improviso. O contrato em vigor exige acompanhamento ativo, pois é nele que estão as obrigações, entregas, reajustes, multas e condições de rescisão. É também onde se perde dinheiro quando nada é monitorado.


Entregáveis típicos:

  • Calendário de eventos contratuais, com alertas configurados por criticidade;
  • Registro de entregas, aceite, pagamentos e ocorrências relevantes;
  • Gestão de aditivos e mudanças de escopo, com controle de versão.


Controles recomendados:

  • Alertas de renovação e vencimento com antecedência adequada (30, 60, 90 dias);
  • Rotina de revisão periódica para contratos críticos ou de alto valor;
  • Registro de não conformidades e plano de correção, com responsáveis e prazos.


Estágio 9: otimização, renovação e encerramento


Objetivo: fechar com aprendizado e decidir renovação com base em dados.

O contrato precisa encerrar com aprendizado, não com esquecimento. Encerramento correto reduz risco residual e melhora a próxima negociação. Renovação deveria ser decisão informada baseada em desempenho, não automatismo operacional.


Entregáveis típicos:

  • Checklist de encerramento e evidências finais de quitação;
  • Avaliação de desempenho do fornecedor, custo-benefício, risco e qualidade do relacionamento;
  • Atualização de templates e playbooks com lições aprendidas.


Controles recomendados:

  • Critérios objetivos de renovação baseados em desempenho, risco e condições de mercado;
  • Base histórica estruturada para reduzir concessões repetidas e evitar erros recorrentes.


Conclusão

Gestão de contratos é disciplina de execução que sustenta governança e eficiência operacional. Quando estruturada em estágios claros, com controles e responsabilidades definidas, ela reduz incerteza, acelera negócios e transforma contratos em ativos estratégicos.


Quando apoiada por CLM e automação, ela deixa de depender de memória individual e e-mail para se tornar um processo mensurável, escalável e resiliente. A empresa ganha previsibilidade, reduz risco e melhora a capacidade de negociar com consistência e inteligência, do primeiro rascunho até o fim da vigência.




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